HELLBOY NO MÉXICO, de mike Mignola + Richard Corben + Mick McMahon + Fábio Moon + Gabriel Bá, ou “Y en la esquina izquierda, el campeón invicto del infierno, defendiendo el título, La Bestia del Apocalipsis, La Mano Derecha de la Condenación…… HEEEEEELLLBOOOOOOY!!!!”

Hola, pendejos y pendejas!!!

Digam a verdade: quantos aqui já embarcaram em uma bebedeira que durou o fim de semana inteiro? Sabe como é, você decide ir tomar umas com o pessoal na sexta feira depois do trabalho, dali encontra alguns conhecidos do nada, e aparece mais uma festa ou reuniãozinha pra ir, daí você volta pra casa sábado pela manhã, só querendo pôr o fígado pra descansar, mas recebe uma mensagem que te intima a ir a um churrasco da irmã de um amigo, que vai começar à tarde, e sem hora pra acabar. Domingo pela manhã, com uma ressaca descomunal, você segue o conselho daquele seu tio bandalha e toma mais um porre, pra curar a ressaca.

Bem, imagine um “fim de semana perdido” assim, mas nos moldes do Hellboy, a criação máxima do artista Mike Mignola. Apenas substitua as festinhas por duelos em ringues de lucha libre mexicanos e os bate papos e risadas por caçadas a bruxas, vampiros, demônios e monstros em geral. Substitua também o fim de semana por um período de 5 meses. Mantenha apenas as quantidades prodigiosas de álcool consumidas e mantenha também as ressacas épicas. Isso é ‘Hellboy no México’!

Bebum é tudo igual mesmo…

Aproveitando a estréia do novo filme, vamos comentar um pouco esse ciclo de histórias curtas. Até onde sabemos, o início desse novo filme vai abordar um pouquinho das aventuras no México, mas independente da qualidade da adaptação do material, a HQ original é divertida como se deve esperar de toda história de Hellboy. Essa edição especial da Mythos Books compila todas as histórias passadas durante esses 5 meses no México, no ano de 1956, em que o Vermelhão vai atender uma ocorrência sobrenatural e acaba se envolvendo com três irmãos luchadores que, após uma epifania religiosa, se tornam caçadores de monstros. Hellboy se junta aos irmãos, farreando à noite e caçando monstros de dia. Acontece que após o desfecho trágico desta primeira história, Hellboy fica tão abalado que se envolve em um estupor alcoólico que dura por meses, e é exatamente aí que Mignola se diverte e conta as mais loucas histórias durante esse “fim de semana perdido”, em que Hellboy chega até mesmo a se casar (!?!?!).

Arte de Richard Corben
David Harbour (Stranger Things) como o Vermelhão na nova adaptação.
Arte de Richard Corben
Arte de Mick McMahon

Tudo começou, como a própria criação do Hellboy, como uma grande diversão: o projeto original previa apenas “Hellboy no México”, com arte de Richard Corben, mas Mignola se deu conta de que a existência de uma época completamente esquecida na vida de seu personagem abria uma janela para uma lacuna cronológica a ser preenchida. Assim, Mignola e Corben poderiam reatar sua parceria mais uma vez. Porém, o que era pra ser um repeteco da parceria com Corben se tornou um pequeno ciclo de histórias ilustradas por outros magníficos artistas. A “Jornada Mexicana” de Hellboy, se preferirem ;>).

Arte de Mike Mignola

Uma das grandes diversões em se ler histórias de Hellboy é ver como Mignola brinca com o folclore de vários países. Pelo fato de Hellboy trabalhar para o Bureau de Pesquisa e Defesa Paranormal e realizar missões ao redor de todo o mundo, geralmente vemos o cuidado dele na transposição de mitos e lendas de diferentes povos para as histórias do Vermelhão, que é o grande charme e diversão das histórias do personagem. O autor já disse anteriormente que sempre pesquisa o folclore dos países onde ele ambienta suas histórias, e essa é a razão daquele peru (eu disse PERU!) diabólico na história “Hellboy no México” rs:

“(…) Quanto ao tradicional mito do vampiro, minhas pesquisas me levaram a descobrir que ele também existe no folclore mexicano, tendo inclusive o poder muito bizarro de se transformar em um peru. Resolvi incluir esse detalhe no roteiro, porém, deixei avisado que Richard Corben teria toda a liberdade criativa para trocar o peru por algum animal mais funesto, talvez um abutre. Richard, no entanto, preferiu manter o mito mexicano, e ainda conseguiu a proeza de ilustrar um peru surpreendentemente funesto.”

O diabólico peru vampiro

Sem mencionar, é claro, a cronologia amigável das HQs do Hellboy: Com exceção dos últimos arcos – onde o personagem se envolve em uma guerra mística, morre e vai parar no inferno – basta saber quem é o Hellboy, não exigindo toda uma bagagem de décadas de histórias previamente lidas <coff, coff, MARVEL, coff, coff, DC, coff, coff, coff…> para se divertir. Mignola ainda tem as manhas de manter a leveza, em termos de carga cronológica, coisa que as editoras grandonas esqueceram como fazer.

Pinup de Desar Yuartha

Ainda no aspecto cultural, como amante de filmes B em geral, não pude deixar de sentir o clima dos filmes do El Santo, Blue Demon, entre outros, das películas de lutadores mascarados contra monstros, e também produções como Alucarda, de Juan López Moctezuma, entre outros filmes de terror mexicanos produzidos entre as décadas de 60 e 70. Mignola afirma nunca ter assistido a um filme desses sequer. Imagino como teriam ficado essas histórias se ele os tivesse assistido…


Muitas homenagens em uma só história!
Hellboy bate de frente com a criatura de Frankenstein…
… o Lobisomem, Drácula (só dando uma passada rápida rs) …
… y las mujeres vampiro!

“E acho que também é justo homenagear as películas “Classe B” mexicanas, nas quais heróis mascarados de luta livre enfrentam monstros – obras como “Mulheres Vampiro”. Nunca assisti realmente a nenhuma delas, mas certamente adoro o conceito.”

https://www.youtube.com/watch?v=7NwhfahnHUQ
Santo vs. las mujeres Vampiro (1963)
Alucarda (1977)
https://www.youtube.com/watch?v=lKR4o-bHnfk
The Robot vs. The Aztec Mummy (1958)
https://www.youtube.com/watch?v=x2HUwqB5WbQ
La Mujer Murciélago 1968

Mike Mignola, apesar de ser o criador do personagem, tem assumido cada vez menos a arte das histórias, preferindo dar atenção total aos roteiros e delegando as artes a outros desenhistas. Para nossa sorte, ele sempre soube escolher bem os artistas cujo estilo “casam” com sua criação. Hellboy no México e A Casa dos Mortos-Vivos (ambos publicados pela Mythos) são desenhadas pelo monstro Richard Corben (ame-o ou odeie-o!); “A Múmia Asteca” é a única história desenhada pelo próprio Mike Mignola; “O Casamento do Hellboy” é desenhado por Mick McMahon (conhecido aqui no Brasil pela HQ O Último Americano); “O saqueador de Cadáveres” tem arte de Fábio Moon, e por fim “O Saqueador de Cadáveres: A Revanche” é desenhada por Gabriel Bá. Um verdadeiro dream team. Hellboy sempre teve o privilégio de ser representado por artistas magníficos.

Arte de Gabriel Bá
Arte de Fábio Moon 
Arte de Richard Corben

Hellboy no México é um encadernado em capa dura com detalhe em dourado no logotipo do título, e traz, além das histórias mencionadas, um pequeno prefácio de Mignola antes de cada história, onde ele discorre um pouco a respeito do desenvolvimento daquela história específica. No final do encadernado, uma sessão de esboços e estudos de personagens e o já tradicional glossário que costuma vir nessas edições de Hellboy da Mythos, elucidando muitas referências que surgem ao longo da leitura. Na minha opinião, um belo trabalho que a Mythos faz pelo leitor nos encadernados de Hellboy que eles vêm publicando. Mesmo que não seja exigido do leitor conhecer todas as histórias de Hellboy anteriores, essas notas explicativas no final do volume tampam alguns buracos aqui e ali sobre certos eventos e personagens mencionados por alto em histórias prévias. Não conhecer esses eventos não prejudica a leitura do encadernado, mas uma nota explicativa acaba com qualquer sensação de estar perdido, o que garante o máximo de divertimento durante a leitura das histórias.

Agora, terminem seus burritos, ponham suas máscaras de luchador, dêem uma talagada nas margaritas, um beijo nas señoritas e não se esqueçam de secar uma garrafa de tequila antes de subirem no ringue!!!

Vámonos!!!! AAAAAARRRIBAAAA!!!!!

Eduardo Cruz
Eduardo Cruz é um dos Grandes Antigos da Zona Negativa, ou sejE, um dos membros fundadores, e decidiu criar o blog após uma experiência de quase-vida pela qual passou após se intoxicar com 72 tabletes de vitamina C. Depois disso, desenvolveu a capacidade de ficar até 30 segundos sem respirar debaixo d’água, mas não se gaba disso por aí.

Ele também tem uma superstição relacionada a copos de cerveja cheios e precisa esvaziá-los imediatamente, sofre de crises nervosas por causa da pilha de leitura que só vem aumentando e é um gamer extremamente fiel: Joga os mesmos games de Left For Dead e Call of Duty há quase 4 anos ininterruptos.

Eduardo Cruz vem em dois modos: Boladão de Amor® e Full Pistola®.

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