Resenha Relâmpago: Jimmy and Stiggs, de Joe Begos

Impossível ler esse título e não pensar em O.C. and Stiggs, a comédia cult anárquica de 1984 do diretor Robert Altman, mas vou logo avisando: não existe nada em comum entre esses filmes além de um dos nomes no título, muito CAOS e o fato de ambos serem obras cult. Jimmy and Stiggs é uma produção independente honestíssima, alucinada, insana, lisérgica, colorida e cheia de gore sobre aliens, abdução alienígena e o longo massacre que se desenrola ao longo do andamento da película, produzida por Eli Roth, de O Albergue, e escrita e dirigida por Joe Begos, que interpreta Jimmy, nessa festa splatter de baixo orçamento e altas ambições.

Momentos antes da sangueira rolar…

Filmado no próprio apartamento de Begos, o projeto começou durante a pandemia e levou quatro anos para ser concluído. Na trama acompanhamos Jimmy, um diretor independente que se encontra na pior e separado de seu parceiro criativo de longa data, o tal Stiggs. A dupla havia rompido por causa da maneira como Jimmy conduzia seus hábitos boêmios e realmente, a sequência inicial do filme gravada em primeira pessoa parece o clip Smack My Bitch Up“, do Prodigy. Jimmy fuma, bebe e cheira tudo que vê ela frente em seu apartamento, em uma rotina de esbórnia solitária e auto destrutiva. Após um desses episódios de intensa embriaguez, Jimmy acorda se sentindo diferente e com a impressão de que foi abduzido e pesquisa a respeito do assunto. Revoltado e enfurecido, ele resolve se vingar dos aliens, ansiando por um segundo round. Seu ex melhor amigo e colaborador aparece em seu apartamento e, apesar de não acreditar em Jimmy a princípio, acaba se juntando ao amigo num confronto contra os baixinhos cinzentos e cabeçudos, lançando mão de martelos, facas, serras elétricas, espingardas, martelos e garrafas quebradas ao mesmo tempo em que precisam acertar os ponteiros de sua amizade e de sua relação profissional.

Trailer de Jimmy and Stiggs
Tariler de The Piano Killer, dirigido por Eli Roth e exibido antes de Jimmy and Stiggs, estilo Grindhouse
Don’t Go In That House, Bitch!, segundo trailer exibido antes de Jimmy and Stiggs

O resultado, a partir daí é uma suruba/massacre tresloucado e claustrofóbico envolvendo uma chacina de bonecos gray de silicone com muita tinta florescente fazendo as vezes de sangue e vísceras, simulando as formas mais brutais e criativas para se matar e mutilar os baixinhos cabeçudos operadores de sondas anais. Junte Evil Dead, Fome Animal e Independence Day em um trisal, e o filho desse cruzamento aberrante seria Jimmy and Stiggs! Muitos efeitos práticos, praticamente nenhum CGI e muitos litros de tinta emulando sangue, como dá pra ver em um pequeno featurette onde Begos faz um tour por seu apartamento, com o teto e as paredes ainda melecadas de tinta fluorescente seca, explicando a Eli Roth como desenvolveu cada cena de forma engenhosa e aguerrida.

O filme oferece momentos sublimes para pessoas com paladar de fino trato, como a cena da discussão entre os protagonistas, que evolui para uma briga suja de rua de cinco minutos de duração no estilo Eles Vivem, de John Carpenter, que acaba culminando com Jimmy esfregando a cara do amigo Stiggs em uma poça viscosa de gosma e vísceras alienígenas por causa de um desentendimento sobre por quê Stiggs resolveu parar de beber. O filme é repleto destes momentos onde vemos a dupla protagonista completamente alterada narcoticamente, lembrando alguns bons momentos da filmografia do Rob Zombie, com seus xingamentos e diálogos frenéticos, ou executando as formas mais criativas de se esmagar, lacerar, desmembrar e decapitar aliens, até o insano final, onde presenciamos a que extremos o protagonista chega para se livrar de seus implantes alienígenas.

Um dos filmes mais intensos, originais e vibrantes que eu já vi, e que desde já considero uma obra prima dado o resultado obtido com os recursos disponíveis para a sua realização, e quem curtiu a produção Sul Africana Fried Barry, de 2020, também sobre abdução alienígena, e quer algo similar mas ainda assim dobrando a aposta, pode embarcar em Jimmy and Stiggs para uma sessão de loucura, violência e caos! Um filme que claramente não é para todos, mas quem sabe o que esperar vai achar memorável…

Eli Roth entrevistando o diretor…

Eduardo Cruz (@eusoueducruz)

Eduardo Cruz
Eduardo Cruz é um dos Grandes Antigos da Zona Negativa, ou sejE, um dos membros fundadores, e decidiu criar o blog após uma experiência de quase-vida pela qual passou após se intoxicar com 72 tabletes de vitamina C. Depois disso, desenvolveu a capacidade de ficar até 30 segundos sem respirar debaixo d’água, mas não se gaba disso por aí.

Ele também tem uma superstição relacionada a copos de cerveja cheios e precisa esvaziá-los imediatamente, sofre de crises nervosas por causa da pilha de leitura que só vem aumentando e é um gamer extremamente fiel: Joga os mesmos games de Left For Dead e Call of Duty há quase 4 anos ininterruptos.

Eduardo Cruz vem em dois modos: Boladão de Amor® e Full Pistola®.

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