…Interrompemos nossa programação normal para uma teoria sobre os Warriors…

Os amiguinhos das antigas vão se lembrar do filme a que me refiro, um sucesso dos fins de noite no domingo maior, quando ainda éramos moleques e já tinha passado da hora de dormir, mas nossa teimosia em permanecer acordado nos brindou com essa pérola. A influência desse filme ainda é percebida até hoje pelos mais novos em algumas produções e The Warriors, conhecido aqui como “Selvagens da noite” acabou virando um filme cult, mesmo que as pessoas insistam em só lembrar de “Laranja Mecânica” como maior expoente do gênero….

O filme, objeto de culto, é sobre um grande encontro de gangues que dá errado, com a culpa recaindo sobre um pequeno grupo, a gangue dos Guerreiros, oriundo de Coney Island, e todo o perrengue que esse grupo de coitados tem que passar para atravessar a cidade e voltar para casa inteiros, com todas as gangues de NY atrás deles. Um filme de Walter Hill, baseado no livro do escritor Sol Yurick, que por sua vez se inspirou no texto “Anábase”, do historiador grego Xenofonte.
Mas não vou usar esse espaço para escrever um texto a respeito do filme ou do livro dos Warriors. Nosso outro zelador da Zona Negativa, Ricardo C., já fez isso neste texto, ameaçando com garrafadas e correntes qualquer infeliz que ousasse fazer isso antes dele aqui na redação da Zona. Não quero esgotar o assunto, e sim apontar uma direção, que apesar de subjetiva e meramente especulativa de minha parte, foi bem divertido de imaginar e rendeu boas discussões entre nós aqui da Zona.

Observemos o contexto histórico de “The Warriors”: os movimentos pelos direitos civis, a ascensão domovimento de contracultura, a ressaca pós Vietnã e o escândalo do caso Watergate. É notório que na vida real o governo norte americano infiltrou agentes em várias movimentos e grupos da sociedade estadunindense, como no partido dos panteras negras, por exemplo, a fim de detectar e se necessário, abafar possíveis insurreições e revoltas sociais dentro de seu próprio território. Enfim, a boa e velha paranóia do complexo industrial militar, utilizando o dinheiro dos impostos dos cidadãos como melhor lhes convém para a manutenção do status quo….

Logo, através de um trabalho de inteligência, a agência que estaria cuidando disso, fosse qual fosse, ficaria ciente de uma mega reunião de gangues no Bronx, arquitetada pelo líder de uma delas, um líder extremamente carismático, e portanto perigoso para o sistema, visto que até ali ele havia sido bem sucedido em convocar e reunir em um mesmo local diversas gangues, algumas com sérias rivalidades geradas e nutridas ao longo dos anos entre si, com uma proposta de unificação absoluta. A polícia não teria chance, o crime organizado não teria chance, e em última instância o governo não teria chance, caso a idéia de Cyrus se propagasse pela América afora.  
Esta mesma agência governamental teria acionado seu contato local, Luther, que tem sua “Gangue” (na verdade, um bando de perdidos apatetados que foram cooptados para acreditar que são integrantes de uma gangue verdadeira?), os Rogues.  Atentos a este possível levante contra o sistema, por parte do tal Cyrus, enviam seu agente para “tratar a ocorrência”, no melhor estilo Kennedy. Temerosos com esse incipiente golpe de estado, concluíram que um assassinato resolveria tudo. Afinal, depois que você faz issoaté com um presidente, o resto é fácil. Em seguida, bastava incluir um bode expiatório (os desafortunados Guerreiros) na equação, e justificar pra sua gangue de doidões que estariam fazendo isso pra ver o circo pegar fogo, porque, como ele mesmo diz: “I like doin’ stuff like that! (Eu gosto de fazer coisas assim!)”. Semelhante a um assassinato político para desestabilizar uma republiqueta de bananas, mas em nível doméstico e urbano. O modus operandi da CIA, disfarçado como “mais uma ocorrência policial em NY”.

“Warriors, come out and play with uncle Sam!”

 Para reforçar a tese, revendo a cena em que Luther liga pra alguém e fala um tanto irônico sobre o “acidente” no Bronx com Cyrus, podemos enxergar esta cena como uma conversa encriptada: na realidade ali Luther estaria se reportando a seus superiores em Langley (CIA) ou em até mesmo em Washington (NSA), no melhor estilo de filmes de espião, através de frases-código e palavras chave, informando que cumpriu sua missão a contento.

Arô! É da puliça?

Infiltrar agentes dos poderes em exercício entre revoltosos é uma estratégia comum para minar manifestações populares, como pudemos ver nas manifestações populares de 2013 (aquelas em que o gigante acordou, levantou, foi dar uma mijada e dormiu de novo), onde (alegadamente) infiltrados descoordenaram qualquer ação de protesto e inclusive as invalidaram, utilizando de violência, minando o levante popular. Esse método truculento também é visto no especial “Democracia”, da Juiz Dredd Megazine, lançado em 2014. O bom e velho “Dividir e conquistar”. Nunca falha.

Para mim, faz todo sentido e leva a história em uma direção diferente sem perder nada do que foi mostrado no enredo, nem entrar em conflito. Foi o que eu, (e outros para quem expus esse delírio) achei mais interessante.

Talvez minha imaginação tenha se excedido dessa forma justamente por ter certas partes da trama tão em aberto, que acabei preenchendo-as assim “na minha cronologia pessoal” rs ;>). Sempre me incomodou um pouco o fato de Luther executar Cyrus apenas porque sim. O que os rogues ganhariam com isso? Ah, então ele é psicopata? Acho isso meio batido. Fico mais contente com essa tese que brotou para enriquecer uma trama que por si só já é excelente. Me deixem com meus delírios hehehe.

Eu sei, eu sei, é uma teoria meio Fox Mulder, em que os verdadeiros vilões são sempre eles: O sistemão, the  Man, us hômi! Mas se for parar pra analisar que desde sua criação, agências governamentais como CIA e a NSA (e outras mundo afora, mas aqui estamos em NY!) foram responsáveis por planos até mais esdrúxulos do que minha teoria, vide as tentativas de assassinato de Fidel Castro que beiram o cômico. Assim fica fácil usar a suspensão de descrença, e o mais bacana: com base em eventos que ocorreram de fato no mundo real, para apreciar mais uma camada oculta em um filme que já é excelente por si só.

Queria dividir essa teoria aqui na Zona.

Reflitam. Comentem, expandam, me mostrem os furos no raciocínio, me xinguem, me paguem um chope pra gente conversar mais um pouco a respeito. Como eu disse, é apenas uma teoria minha. Não existe nada oficial nesse sentido sequer implícito na história original, é apenas um delírio alimentado pelo plot básico do filme, confrontado com o contexto da época.

“Vocês… SACARAM???”
Eduardo Cruz
Eduardo Cruz é um dos Grandes Antigos da Zona Negativa, ou sejE, um dos membros fundadores, e decidiu criar o blog após uma experiência de quase-vida pela qual passou após se intoxicar com 72 tabletes de vitamina C. Depois disso, desenvolveu a capacidade de ficar até 30 segundos sem respirar debaixo d’água, mas não se gaba disso por aí.

Ele também tem uma superstição relacionada a copos de cerveja cheios e precisa esvaziá-los imediatamente, sofre de crises nervosas por causa da pilha de leitura que só vem aumentando e é um gamer extremamente fiel: Joga os mesmos games de Left For Dead e Call of Duty há quase 4 anos ininterruptos.

Eduardo Cruz vem em dois modos: Boladão de Amor® e Full Pistola®.

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